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O experimento biológico da Viking.

Viking Lander.

O resultado mais importante para a detecção da vida não veio das experiências biológicas, mas do GCMS. O GCMS não encontrou nenhum traço de nenhum composto orgânico na superfície de Marte. Os compostos orgânicos já eram sabidos por existirem no espaço (por exemplo, nos meteoritos), assim que este resultado veio foi recebido como uma completa surpresa. O GCMS estava definitivamente trabalhando, porque podia detectar traços dos solventes de limpeza que tinham sido usados para esteriliza-lo antes do lançamento.

A ausência total de material orgânico na superfície fez os resultados das experiências biológicas ficarem sem sentido, porque o metabolismo que envolve compostos orgânicos era o que aquelas experiências foram projetadas para detectar. Entretanto, os resultados das experiências biológicas foram suficientemente desconcertantes e valem a pena examinar.

Para reduzir a possibilidade de falsos resultados positivos, as experiências biológicas tinham que não somente detectar a vida em uma amostra de solo, elas tiveram também que não detectar em uma outra amostra de solo que foi esterilizada (a amostra de controle).

Vida extinta.

A maioria dos investigadores acreditam agora que os resultados das experiências biológicas da Viking são explicadas por processos puramente químicos que não requerem a presença da vida, e o GCMS elimina via de regra a vida em todo os experimentos. Assim, não há nenhuma vida detectável nos dois locais de aterragem da Viking, que eram separados extensamente e diferentes nas suas características (o local de pouso da Viking 2 foi escolhido especificamente por causa de sua latitude elevada, desde que era mais perto das fontes de água polares) Quando a possibilidade de "oásis" ou seja de uma condição mais favorável para a vida não podem ser eliminadas, por exemplo em camadas subsuperficiais do permafrost ou em respiradouros geotérmicos perto dos vulcões, as possibilidades que a vida exista em Marte no tempo atual não parecem boas. Entretanto, nós temos a evidência que Marte pode ter estado significativamente mais molhado, talvez com uma atmosfera mais densa, mais cedo em sua história. Se assim, há a possibilidade que a vida tenha se iniciado em Marte, no entanto para morrer nas própias condições do planeta. Conseqüentemente, alguns investigadores sugeriram que no futuro a procura pela vida em Marte estivesse deslocado ao foco de vida extinta, melhor que em vida presente.

Na Terra, a vida extinta pode ser encontrada no formato dos microfósseis e dos estromatólitos. Essas formas, foram encontrados na Austrália ocidental, são a evidência mais velha da vida na Terra, datando de 3,5 bilhões de anos (Obs: atualmente existe evidências mais antigas. Veja na parte curiosidades). Microfosseis são organismos fossilizados individualmente (tipicamente algas), possuindo alguns milímetros de diâmetro. Estromatolitos são formados quando lagos ou posas rasas com camadas de organismos microbiais são cobertas com sedimentos. Os organismos migram para a luz após a cobertura, e os compostos orgânicos restantes formam um material com uma estrutura característica. Estromatolitos são importante porque podem ser grandes o bastante para serem visto por câmeras do lander (ou talvez mesmo pelo orbiter com alta-resolução), e assim que alguns investigadores sugeriram procurar as características em lugares que parecem ter sido lagos ou baías antigas. Por enquanto a prova definitiva da origem biológica requer imagens de microscópio ou o retorno de amostras, a descoberta dessas estruturas pode dar credibilidade a idéia de vida extinta.

ALH84001

A agência espacial americana, Nasa, anunciou em agosto de 1996 ter encontrado o que poderia ser uma das maiores descobertas científicas da história da humanidade: um forte indício da existência de vida fora da Terra. Estudos realizados em um meteorito vindo de Marte, e encontrado em 1984 na Antártida, sugeriam a presença no planeta vermelho de bactérias parecidas com os organismos unicelulares que habitaram a Terra há bilhões de anos.

ALH84001, foi o primeiro meteorito encontrado na Antártida, na região de Allan Hills, no ano de 1984, vendo daí o seu nome. A estória do meteorito segundo imaginam os cientista é essa: há 15 milhões de anos um imenso cometa ou asteróide deve ter atingido Marte, fazendo com que vários pedaços de rocha marciana fossem jogados no espaço, como os estilhaços de uma explosão. Por 15 milhões de anos então, esses pedaços de rocha vagaram pelo espaço e alguns deles acabaram se chocando com a Terra na forma de meteoritos. O meteorito em questão passou seus últimos 130 séculos soterrado sob a capa de gelo antártico. O ALH84001 provém de Marte, quanto a isso não existe dúvidas. Dois métodos foram usados para determinar a sua origem. O primeiro, e mais exato, foi comparar os dados sobre a atmosfera de Marte coletados no planeta vermelho pela sonda americana Viking, em 1976, com as amostras de gases contidas em bolhas hermeticamente lacradas que muitos dos meteoritos guardam em seu interior. As bolhas doALH84001 tinham gases com a mesma composição da atmosfera marciana. A segunda maneira de determinar a origem de um meteorito é examinar a composição química da rocha. Também de acordo com esses exames, o ALH84001 não poderia ter vindo de outro planeta senão de Marte. O interessante desse meteorito em particular veio da datação radioativa, que estimou a sua idade em mais de 3 bilhões de anos (3,6 bilhões de anos), sendo então o meteorito mais velho de Marte encontrado na Terra. Esse fato não é importante somente pela sua idade em si, mas pelo fato de ser proveniente de um período em que se acredita que o planeta vermelho era mais quente e úmido, portanto hábil de sustentar a vida que conhecemos.

O meteorito marciano, do tamanho de uma batata (pesa menos de dois quilos), permaneceu por doze anos nos depósitos da Nasa. Com o desenvolvimento recente (isso em 1.996.) de microscópios eletrônicos de extrema potência, um time de experts liderado por David Mc. Kay e Everett Gibson analisaram a rocha e encontraram evidências que parecem apontar a presença de um antigo fóssil na rocha. Todas as evidências podem individualmente serem explicadas por reações inorgânicas, mas coletivamente sugerem uma explicação biológica.

O meteorito contém compostos orgânicos e certos cristais de ferro oxidado comumente associados à atividade biológica das bactérias primordiais terrestres.

Segundo os pesquisadores, algumas das texturas e formas gravadas em rachaduras da rocha esconderiam não apenas anomalias químicas, mas as próprias bactérias fossilizadas. São bactérias do tipo filamento, bastante comuns na Terra. As formas possivelmente presentes no meteorito marciano, no entanto, são de tamanho bem mais reduzido do que suas congêneres terrestres, semelhantes a bactérias que existiram nos primórdios da história geológica da Terra. O maior desses fósseis (de moléculas orgânicas) não tem mais do que um centésimo da espessura de um cabelo humano, se colocássemos um ao lado do outro precisaríamos de mil deles para chegar ao tamanho do ponto que fecha esta frase. Estas moléculas seriam também a mais antiga forma de vida já descoberta pelos cientistas. Porém, a presença física das bactérias na rocha, ainda tem que ser provada. A melhor maneira para isso é detectar a presença de paredes celulares fósseis gravadas na superfície do meteorito. Sem paredes celulares capazes de conter os compostos orgânicos a vida simplesmente não existe.